“Gastronomia é a arte de usar a comida para criar felicidade� - Kraffft-Ebbing
A gastronomia aà está desde remotas eras. Ultimamente, parece que ficou mais visÃvel, mais comentada.
Há um interesse crescente e generalizado por tudo o que se refere ao assunto: é charmoso conhecer iguarias exóticas, analisar sabores, perceber aromas, degustar vinhos, preparar uma receita diferente, surpreender o paladar com novas e intrigantes texturas e por que não, ser um chef, profissional ou de fim de semana.
Nem sempre a gastronomia é bem interpretada. É julgada como coisa de elite sofisticada. E os gastrônomos então, esses são simplesmente um bando de glutões egoÃstas.
Talvez sejam resquÃcios do perÃodo Napoleônico ou da época de Luis XVIII quando um conceito burguês da mesa era o corrente, não só na França, mas também em outros paises europeus.
Mas, afinal, que ciência, que arte é esta?
A gastronomia é o estudo da relação entre a cultura e a comida. O termo gastronomia tem sido empregado referindo-se tão somente ao ato de cozinhar, à s artes culinárias. Mas isso é só a ponta do iceberg desta ciência que une componentes culturais tão diversos, tendo como eixo a comida. Descobrir, degustar, experimentar, pesquisar, cuidar, compreender, escrever são atividades ligadas à gastronomia. E a comida envolve também a literatura, as artes plásticas, a música, a dança. E ainda a matemática, fÃsica, quÃmica, história, geografia, biologia, agronomia e mais antropologia, psicologia, filosofia, sociologia!!!Enfim a gastronomia é um prato fascinante.
Quando vejo uma bela mesa, cheia de quitutes, preparada para uma festa ou mesmo em um restaurante acontece comigo algo quase inevitável: passa na minha cabeça como que um mini making of daquela preparação toda: quem pegou aquela lagosta, como? quais as inúmeras pessoas que colheram uma por uma as florezinhas do açafrão, que intrépida sertaneja subiu ao mais alto galho da árvore para colher o melhor umbu, esse feijão vem de onde, e a flor do sal como surge, e as uvas ... será que ainda estão verdes???
Intelectuais da terra - é como, carinhosamente, Carlo Petrini, fundador do Slow Food se refere a esse enorme contingente, a esse diversificado batalhão de trabalhadores, gente quase sempre simples, cada um num canto do mundo, cuidando daquilo que é sua tradição, sua identidade e que para deleite geral vai chegar à s mesas, à s nossas mesas…
Inúmeros são esses Dom Quixotes que se dedicam a resgatar ou manter espécies nativas, trabalhando a terra com respeito ao ambiente e às tradições, tentando adaptar suas técnicas às mudanças climáticas e produzir um alimento saboroso e de qualidade.
Foto: Feijão Canapu nas mãos de um agricultor. O Feijão Canapu é uma Fortaleza Slow Food.
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