Entrevista - Chef Francisco Ansiliero
Margarida Nogueira, líder do Convivium Slow Food Rio de Janeiro e integrante da comissão organizadora da delegação brasileira para o Terra Madre 2006, entrevistou o Chef Francisco Ansiliero, de Brasília. O Chef Francisco é sócio do Convivium Slow Food de Brasília desde sua fundação, participou do Terra Madre e Salone del Gusto em 2004 e é membro da comissão brasileira da Arca do Gosto.
Nome do restaurante: Dom Francisco Restaurante
Em que região do Brasil está localizado? Em Brasília, na região Centro-Oeste.
Qual sua expectativa sobre o Terra Madre 2006 esse encontro entre produtores, chefs e cientistas do mundo todo?
R: Espero um diálogo verdadeiro, em que todos tenham oportunidade de apresentar sua realidade, num clima de respeito e compreensão.
Como você acha que pode contribuir para unir cada vez mais esses três pólos?
R: Prestigiando os produtores de minha região, utilizando seus produtos nos pratos que elaboro.
Na sua opinião qual o maior problema do pequeno produtor?
R: É respeitar seu curso de produção, pagando-lhe um preço justo.
Você gostaria de fazer mais algum comentário ou dar uma sugestão?
R:Sinto-me entusiasmado em poder participar deste evento. Espero conhecer melhor as razões e expectativas dos pequenos produtores.
Saiba mais sobre o Chef Francisco Ansiliero
Descendente de italianos e nascido em Videira (SC), Francisco Ansiliero é um chef conceituado na cenário gastronômico nacional. Porém, antes de tornar-se chef, Francisco foi padre e professor universitário por 26 anos.
Na infância, morou em Videira e, aos 08 anos, mudou-se com a família para o Paraná. Aos 14, entrou para o seminário, em São Paulo, onde estudou e terminou o segundo grau. Francisco saiu do seminário em 1970, usou a batina por dois anos e depois, se casou. Formado em pedagogia, lecionou em Rondônia nos anos 80. Em 1987 chegou em Brasília e no ano seguinte abriu seu primeiro restaurante, na 402 Sul.
Atualmente, o chef é responsável por dois restaurantes Dom Francisco, um na ASBAC e outro na Academia de Tênis. As duas casas são motivos de orgulho para o chef. Em Brasília, o Dom Francisco tornou-se sinônimo de boa comida que pode ser acompanhada de bons vinhos. A adega do Dom Francisco possui cerca de 20 mil garrafas.
O Dom Francisco é um restaurante clássico e os pratos principais da casa são: a picanha, o tambaqui e o bacalhau. Um dos detalhes é o cuidado que o chef tem em pesquisar, procurar pelos melhores fornecedores, além de elaborar projetos que tragam benefícios aos produtos e produtores.
Francisco conta que cada um desses três pratos fazem parte da história de sua vida. A receita da picanha, ele aprendeu ainda na infância, no Sul, onde o churrasco é predominante. O bacalhau, ele aprendeu em São Paulo, onde conviveu com portugueses. Já o tambaqui veio da época em que morou em Rondônia e aprendeu a receita com os moradores de lá.
Em 2004, Francisco foi o único representante das Américas, entre os cinco chefs internacionais convidados para cozinhar no Salone del Gusto, congresso que reuniu associados do movimento Slow Food em Turim, Itália, entre os dias 20 e 25 de outubro. Ansiliero foi responsável pelo almoço do encerramento do Congresso, no dia 25.
Slow Food convivium leader, 17:36:PM | Cook, Faces of Terra Madre, Portoguês, Brazil | Comment (1)

Muito boas as fotos do noso evento maior. Legal ver o Brasil bem representado lá.
Gostei da resposta do chef à pergunta da Margarida, ressaltando a intenção de prestigira sobretudo os produtores de sua região.
Esta é nossa filosofia!
Arnaldo Adnet, 08:44 PM - 06 November 06